Depoimentos

Parabéns aos amigos da BOA Diogo de Sordi e Pedro Lavinas pelo excelente nível do evento apresentado aos atletas. Cinco mapas super atualizados, recepção, briefing, amizade, tudo nota 1000.

Sérgio Sean Soares, 33 - Sargento do Exército

Um pouco sobre o que foi este grande evento de Corrida de Aventura Caixa Brasília Outdoor Adventure - Expedição 150 km.

Era mais uma expedição de Corrida de Aventura, agora em Brasília, local até então desconhecido para mim. A única certeza que eu tinha era que eu iria encontrar um clima muito seco e um forte calor.

Bom acertei no que eu achei que iria encontrar.... Só não imaginava que Brasília possuia um relevo tão acidentado (isso é sério, corregos de água a muito cumes e mais cumes).

A prova começou num ritmo alucinante de bike que eu não imaginava encontrar, adversários fortes, e navegação que exigia muita atenção, logo nos primeiros kms vi várias equipes se dividindo para diversos caminhos.... Mas o importante é sempre seguir sua rota e acreditar na bússola. Ao final dessa pernada de bike vi que estava totalmente enganado em achar que Brasília era só plano. Não sei como chamar, empurra bike ao contrário?! desliza bike?! escorrega bike?! Era uma descida alucinante em meio a várias pedras... ora vc deslizava, ora escorrega, ora a bike te empurrava...

Blz agora vinha uma pernada de corrida... o membro da organização me falou são 2h30 nesse trecho, eu ri, sem sacanagem, eu ri, 11 km para 2h30?!?!? Logo após o primeiro km eu descobri, venho o primeiro cume, depois o segundo, aí desceu para um corrego d' agua e mais um cume e navegação sempre exigindo muito atenção, várias trilhas distintas, mas o mapa atualizado e a confiança na rota e bússola estavam excelente.... E nisso já era meio dia, como estava o sol aquela hora??? hehehehe, como estava a umidade do ar??? hehehehe 2, aquilo era desumano, minha camiseta era branca de sal que secava do suor ao sol....

Venho a segunda pernada de bike, um trecho de 80 km bike, por volta das 14h30 da tarde pensei q não iria mais aguentar, aquele clima seco fazia com que eu não soubesse meu nome mais, chegava estar quase delirando, sorte que não tinha que gravar nenhuma frase ou nome ou palavra nos pontos de controle, se não já era, mas aí lembrei o quanto treinei, o quanto me dediquei e o quanto queria vencer, aquela hora sabia que estava na frente, mas não sabia quanto tempo meus adversários estavam atrás de mim.... Foi então q o sol baixou e uma injeção de adrenalina com animo tomou conta das minha veias... O guerreiro despertou.... Era acabar a bike, partir para o remo....

Já tarde da noite era hora de encarar o Lago Paranoa... após uns pedaços de pizza na área de transição e muita reidratação era hora de pegar o caiaque e botar os braços em ação.... orientação tranquila apesar do breu da noite e das câimbras nas pernas ... após mais algumas horas, passando da meia noite terminava mais uma Corrida da Aventura.

Obrigado Deus por não me permitir desistir no momento de maior dificuldade... Obrigado ao amigo Jayme (Jayminho) que me apoiou em tudo em Brasília, até montar e desmontar e manutenir bike ele fez.....

Parabéns aos amigos da BOA Diogo de Sordi e Pedro Lavinas pelo excelente nível do evento apresentado aos atletas, 5 mapas (assustadores) mas super atualizados e falando muito bem..... Recepção, briefing, amizade tudo nota 1000......

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Prova feita de corredor para corredor. Os organizadores conseguiram explorar muito bem o entorno de Brasília e traçar um percurso duro, de alto nível técnico e belo. Quem achava que a região não tinha morro deve ter levado um baita susto!

Juliana Lemes Fernandes, 35 - Empresária

Quando ouvi os organizadores da prova dizerem " será uma prova semiurbana" fiquei um pouco chateada, afinal, corredor de aventura gosta de lugares remotos, o mais longe possível de qualquer sinal de civilização!

Mas em seguida me lembrei que Brasília não é uma cidade como outra qualquer e que com 20 min de bike você pode estar no meio do mato e mesmo assim no "meio da cidade".

Pois foi o que aconteceu....os organizadores da prova conseguiram explorar muito bem o entorno de Brasília e traçar um percurso duro, de alto nível técnico e belo.

O primeiro trekking foi impressionante, tanto na beleza como na dificuldade. Pra quem achava que a região não tinha morro deve ter levado um baita susto....hehe. Foi um sobe e desce doloroso sob o sol escaldante do cerrado que judiou de muita gente!

Os trechos de bike não foram simples deslocamentos, hehe! Foi exigido um alto nível técnico dos atletas na bike e eu agradeço! Fico feliz de ver os organizadores, cada vez mais, elevarem o nível técnico nos trechos de bike assim como fazem nos trechos de trekking.

Por fim, o que dizer de remar no lago Paranoá numa noite de céu claro avistando alguns cartões postais da cidade!?

@brasilia.outdoor.adventure vocês arrasaram! Mapas perfeitos, PCs sem pegadinhas, pontualidade na largada, staff muito bem instruido e de alto astral, hidratação na AT (foi fundamental), percurso lindo e duro, premiação em dinheiro, brindes...

Em nome da Equipe Leões de Judá agradeço aos organizadores da prova e espero que ela entre para o calendário nacional de corrida de aventura!

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Fiquei encantada. Tudo muito organizado. Concluímos a prova! Sem cair uma vez sequer, sem escorregar. Chegamos inteiros, sem cansaço exagerado e muito felizes por termos vencido esse desafio. A sensação de concluir a prova foi inexplicável. FOI INCRÍVEL!

Adelaide Côrte, 62 - Bibliotecária

No dia 10 de setembro participamos de uma corrida de aventura. Pela primeira vez. Fiquei encantada. Tudo muito organizado. Assim que decidi fazer a corrida, para fazer jus ao presente que ganhei da minha amiga (a inscrição), procurei um profissional para me treinar. Contratei aulas de caiaque (nunca havia entrado em um) e aulas de bike (há pelo menos 40 anos não andava de bicicleta), comprei a bicicleta, os equipamentos obrigatórios. Convoquei meu marido (o Kades) para ser o meu companheiro de dupla e o navegador, porque de orientação entendo nada. Fizemos uma oficina de meio dia organizada pelo Diogo e o Pedro. Muito bom. Fomos apresentados aos conceitos de orientação em corrida de aventura. Completamos nosso treinamento participando, nos dias 28 e 29 de agosto, de oficinas que nos deram segurança para a prova. Chegou o dia da prova.... frio na barriga. Durante a semana treinamos e a partir de quinta-feira, descansamos. Dormimos cedo, alimentamos direitinho e sábado lá estávamos nós. A organização da prova foi perfeita. Nosso objetivo: terminar a corrida no tempo regulamentar, se possível em 5 horas, porém sem acidentes e hidratados. A prova começou com o caiaque. Prova linda. Manhã de sol claro, temperatura agradável. A prova de caiaque foi muito linda. Ver tantas pessoas no lago foi emocionante. Fizemos essa parte com tranquilidade. Remando sem parar, sem perder o foco, o rumo e sem ficar rodando o caiaque no lago. Era difícil se perder nessa etapa, porque os caiaques ficavam à vista dos participantes. Era só seguir os primeiros colocados. Sem problemas com a orientação. O trekking também foi melhor que esperávamos. Mas tivemos que checar a orientação e cuidar para cumprir a estratégia definida. Chegou a hora da bike.

Era o percurso maior. Na noite anterior havíamos traçado o trajeto com bastante segurança no mapa. Mas tivemos problemas. A subida da Torre Digital é muito forte. Paramos para descansar e recompor o oxigênio. Entre o PC 15 e o PC16, nos perdemos. Fizemos uma volta de mais de 2 km. Mas com calma, nos reencontramos e conseguimos encontrar o bendito PC16. Por causa desse erro perdemos cerca de 30 minutos no tempo. Durante a corrida tivemos cuidado em seguir juntos. No máximo 100m de distância nos separavam. Hidratamos bem. A cada 15 minutos, conforme orientação recebida nos treinamentos. Nos alimentamos em quantidade suficiente para não sentir fome – barra de cereal e banana cristalizada. Paramos para descansar na subida da Torre Digital. Não sentimos fome nem sede. E chegamos!!!! . Concluímos a prova.!!!!! Sem cair uma vez sequer, sem escorregar. Chegamos inteiros, sem cansaço exagerado e muito felizes por termos vencido esse desafio. A sensação de concluir a prova foi inexplicável. FOI INCRÍVEL!!!!! Parabéns aos organizadores da prova. Que venham outras. O último registro: éramos os participantes com maior idade. Juntos, 125 anos (eu com 62 e o Kades com 63). Adelaide e Kades

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Foi nossa primeira prova, não imaginávamos o que seria, achei que seria mais leve, um pedal mais tranquilo, tipo trilha de fim de semana, uma corrida em que conseguisse correr o tempo todo, mas, tá loco, muito morro, muita subida...

Adolfo Andrade, 36 anos, militar do Exército

Prezados aventureiros, que satisfação em ter participado da BOA, muito foda, vou fazer um breve resumo da nossa participação.

Me inscrevi na PRO solo, até que chegou um aspira aqui no quartel, (somos do exercito), pilhado, e logo se empolgou para corrermos juntos... foi nossa primeira prova, não imaginávamos o que seria, achei que seria mais leve, um pedal mais tranquilo, tipo trilha de fim de semana, uma corrida em que conseguisse correr o tempo todo, mas, tá loco, muito morro, muita subida ... na largada, ainda na subida p sair do Israel Pinheiro, no comboio, meu cambio quebrou, já era a bike que preparei, gastei uma grana nela... então pedi p/ minha esposa ir em casa buscar a bike dela, uma aro 26 que estava parada a um tempo, sem revisão, com problemas no cambio traseiro, ficava deslizando quando forçava o pedal, (tive que empurrar em toda subida forte)... bem, ela demorou 1:30h p chegar c a bike, trocamos a placa e o porta mapa improvisado, e saímos com este atraso em relação aos demais,,, na orientação fomos bem, acho que fizemos as melhores rotas, considerando que no trek 1, já começaram minhas cãibras, p/ voltar de bike foi foda, meu parceiro teve que que rebocar na bike algumas vezes, cheguei a cair no chão com cãibras na frente e atrás da perna ao mesmo tempo, o kit de primeiro socorros me salvou, tomei o sal, passei pomada, tomei comprimidos e fomos em frente, em cada PC onde tínhamos que assinar, via que estávamos alcançando as outras duplas, e isso fez com que nos superássemos, nas trilhas entre o altiplano, e o viaduto da ponte jk, fomo muito bem, sem errar nada, sem descer da bike pegamos todos os pontos e chegamos no rapel/caiaque disposto a tirar energia nao sei da onde para completar a prova, era um remando e outro com cãibra, e vice-versa, no trek 2, ao assinar, vimos que tinham 2 duplas logo a frente, subimos rápido, pegamos os pontos e na saída, estávamos as 3 duplas junta saindo no caiaque, e sem olhar p trás, fomos remando, com cãibras, com o trapézio ardendo, ombros doendo, morto de sede, mas com uma vontade enorme, uma confiança que nos fez focar nos caiaques de um quarteto que estava bem a frente, sem se preocupar com os concorrentes que estavam logo atrás... quando chegamos, não sabíamos nossa colocação, já estava escuro, e ao descer, correr não sei como, p ponto de chegada, fomos informado do pódio, (3º lugar dupla masculina), depois de tudo que passamos, de ter começado a prova com 1:30h de atraso, foi show, muito foda, nos sentimos vencedores, nosso tempo poderia ter sido o 1º lugar se não fosse o atraso, mas o que valeu mesmo foi termos vivido esta prova, cada pedaço dela, não dá para descrever, mas sei que vcs vão entender ... SOMOS CORREDORES DE AVENTURA!

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Ultrapassar a linha de chegada foi a garantia de um sorriso permanente, o choro espontâneo e a certeza de que os sacrifícios todos tinham valido a pena.

Marcelo Pimentel, 29, Cientista Político

A BOA 2017 era apenas a nossa segunda corrida de aventura. A primeira? A BOA 2016. Havíamos estreado nesse esporte com uma 5ª colocação na categoria Short de 32km. Nos divertimos para caramba, conhecemos novas trilhas e adoramos o desafio de praticar três modalidades. A orientação por mapa e bússola era uma desafiadora novidade e a conexão entre esporte e natureza era uma reunião de duas paixões. Terminamos aquela ocasião com a certeza de que correríamos a próxima edição.

Quando começou o ano de 2017 nós garantimos a primeira inscrição nas duplas masculinas. A novidade dessa vez foi encarrar a categoria profissional com os seus 60kms. Seria o maior desafio físico de nossas vidas e, como esse é apenas um hobby, tratamos de alinhar as expectativas: Completar a prova na íntegra, contentando-se em superar os tempos de corte.Tínhamos 5 meses para treinar...

A prova começou, na verdade, cerca de 14h antes da largada. Quando os mapas foram distribuídos começou a corrida para traçar a estratégia e pensar a logística para a prova. Eram 4 mapas, diferentes escalas e muito trabalho. Da compreensão dos trajetos até o papel contact nos mapas para enfrentar os trechos de suor e água do lago.

Na foto oficial subimos no pódio sem jamais imaginar que no dia seguinte estaríamos ali novamente.

Até momentos antes da largada estávamos revendo trechos, estratégias, conferindo equipamentos e contendo a adrenalina.

A ansiedade foi uma das principais rivais para a prova. Os dias anteriores foram com dificuldades para dormir, insegurança e aquele friozinho na barriga. A largada foi as 7h da manhã do Centro de Convenções Israel Pinheiro. Começamos a jorgada de mais de 9h de prova com o peito aberto para o novo e a intenção de se preocupar unicamente conosco e com a nossa diversão.

O primeiro trecho envolvia 18kms de pedal. Não necessariamente pedalando, como vocês podem ver. A organização havia sido clara. Quando houvesse caveirinhas no mapa era melhor descer da bike e empurrar. Atravessamos corregos, pedreiras, subimos, descemos e fomos encontrando os caminhos. Os acertos na orientação foram determinantes para sermos competitivos.

O segundo trecho envolvia 7kms de corrida. Mais uma vez, a execução foi um pouco diferente do planejamento. Correr todo o trecho não era possível para nós. Sobe morro, desce morro, registra a passagem pelos pontos de controle, caminha dentro de rio...

O terceiro trecho envolvia 24kms de pedal. Tome bicicleta nas costas e olho no mapa. Esse foi o trecho mais desafiador. A distância era expressiva, o sol já nos castigava, o Fabio começou a enfrentar cãibras e os ciclistas de verdade da prova teriam longos trechos para se destacar.

A altimetria foi um dos maiores desafios da prova. Quem pensa no Planalto Central não imagina a variação de altitude possível para uma corrida de aventura. Haviam trechos do mapa onde as curvas de nível mais pareciam teias de aranha.

Terminamos o trecho de bike indo para a 3ª ponte fazer o rapel. Nesse momento não acreditávamos que estávamos em primeiro e passamos a ter certeza que seria possível completar a prova completa, sem cortes. Quando o objetivo já parecia estar cumprido nós pudemos relaxar um pouco e manter o clima de diversão da prova. Parece possível ter calma, mas o desafio mental é gigantesco. O corpo envia para a cabeça sucessivos sinais de cansaço e você tem simplesmente que ignorar e seguir em frente. Eu me imaginava cruzando a linha de chegada o tempo todo. Fica pensando em músicas que pudessem me distrair e me manter simplesmente fazendo aquilo que eu já vinha fazendo por 7h consecutivas.

O rapel foi um ponto de muita emoção. Esqueci que eu estava em meio a uma corrida. Curti a descida e ganhei novas energias para continuar.

Depois do rapel, fomos encarrar o caiaque. Após exigir muito dos membros inferiores, pensei que seria fácil remar porque os meus braços estariam descansados. Engano juvenil. O meu trapézio estava duro, tenso e as minhas mãos doiam. Horas segurando a bike, mantendo a mesma posição e com a tensão e as trepidações todas sobrecarregando a lombar, os ombros, os punhos e os dedos. O remo que era para ser tranquilo, foi bastante cruel.

Depois de uma remada curta, fomos encarar mais 3km de corrida. Já não conseguíamos correr e o declive mais uma vez não ajudava. No total, passamos por 36 postos de controle como este. Cada vez que avistávamos um triângulo laranja abríamos um sorriso e registrávamos presença.

A chegada foi extremamente emocionante. Lideramos por toda a prova, mas um erro no final nos custou a liderança a 200m da linha de chegada. Consertamos o erro, fomos atrás do prejuízo e retomamos a primeira colocação a 50m da chegada em um sprint que gastou a energia restante que nós nem sabíamos que tínhamos. Ultrapassar a linha de chegada foi a garantia de um sorriso permanente, o choro espontâneo e a certeza de que os sacrifícios todos tinham valido a pena. Foram pedaladas a meia noite, meses longe do futebol, recusas de convites de amigos, infinitos finais de semana com despertador as 7h da manhã e horas e horas de dedicação e preocupação. Em um momento que eu luto para levar as coisas menos a sério, a vitória reforça a noção de que dedicação e seriedade trazem boas recompensas.

O pódio ficou completo somente no cair da noite. Fomos somente a 8ª equipe geral. Os pódios dos quartetos, solo masculino e o primeiro colocado das duplas mistas já estavam ocupados quando chegamos. Fomos os primeiros colocados nas duplas masculinas com o tempo de 9h39min de prova. Números são pouco precisos para dar a exata noção do que foi a competição para nós. Na BOA 2017, o inacreditável, imprevisível e quase indescritível aconteceu.

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Na minha pequena experiência em corrida de aventura já consigo ver que a incerteza é grande. Sempre faça o seu melhor, mesmo que seja o último, alguma reviravolta pode acontecer e te colocar de volta ao jogo.

Danilo Nogueira, 33, Capitão do Exército

Primeiramente quero dizer que estou extasiado até agora com o resultado dessa competição, não imaginava podermos ganhar dos lendários OSKALUNGA, mesmo que não seja a formação Campeã Brasileira de Corrida de Aventura do ano passado, mas que possuía em sua formação integrantes atuais, de formações anteriores e, ainda, contavam com o reforço do Marconi Ribeiro, um monstro no MTB brasiliense e brasileiro.

Já aviso que será um relato bem extenso por dois motivos básicos, o primeiro deles é para quem tiver saco de ler e tiver a curiosidade de saber dos detalhes que aconteceram durante a prova que assim o faça e o segundo é para que eu possa guardar para que no futuro eu leia e lembre exatamente do que aconteceu. Experiências boas devem ser recordadas.

Minha expectativa era brigar pelo 2º lugar, esse tinha sido um objetivo palpável traçado antes de iniciar a competição, como disse na entrevista à Agência Caixa Notícias, no link http://www20.caixa.gov.br/Paginas/Noticias/Noticia/Default.aspx?newsID=4901, no dia 30 de maio. Nunca tive a pretensão de ganhar da Equipe OSKALUNGA.

Terminada essa introdução, vamos ao relato da competição.

A primeira modalidade seria a Mountain Bike, seriam 18 Km nessa primeira pernada de bike. A largada foi simbólica, com um carro da organização guiando até a trilha onde começaria de fato a navegação das equipes, já que até chegar nessa trilha passaríamos por uma estrada de asfalto bem movimentada. Atitude corretíssima da organização, pois não pode-se nunca abdicar da segurança em uma corrida de aventura.

Mesmo sendo um pedal lento até a liberação do carro guia, a adrenalina estava a mil, era perceptível em cada um daqueles ciclistas que ali estavam. Logo após a chegada à trilha, o ensandecimento começou. A galera saiu enlouquecida, ninguém querendo perder de vista os primeiros colocados até chegar no primeiro PC. Era uma trilha não muito larga, com muitas MTB, guidão com guidão, às vezes até se tocando, num pedal forte e emocionante. Isso me fez sentir uma dificuldade de navegação, já que era um mapa com escala 1:25000 e com detalhes diferente do que estava acostumado na Orientação. Ali banquei o carneiro e só queria seguir os primeiros colocados. Pegamos uma rota diferente da planejada por estar encarneirando e ao chegar próximo do ponto eu não estava no mapa. Perguntei ao Pivoto e ele também não estava no mapa. Começamos a bater cabeça juntamente com os demais que ali estavam. Ninguém conseguia achar o primeiro PC. Começou a juntar muita gente ali e nada de achar. Até que paramos e começamos a raciocinar, foi quando me achei no mapa e tinha a certeza de onde estávamos. Não era mais do que 250 metros do PC 01. Ninguém ali tinha achado. Fomos sem levantar suspeitas, pegamos o ponto e saímos sem dar bandeira. Fomos o primeiro quarteto a pegar esse PC.

Para o PC 02 o Pivoto assumiu a frente e seguimos por uma pedreira onde tivemos que empurrar a bike na descida. Pegamos esse PC sem problema. Até o PC 03 foi uma rota bem técnica com um rasga mato, mais uma vez saí do mapa e todos os créditos desse ponto são do Pivoto. Também não tivemos problema. Até o PC 04 foi uma rota mais fácil, contudo cometemos um pequeno erro na entrada de uma estrada a esquerda, mas nada muito grave. Passamos um pouco e voltamos. O PC 05 seria a transição para o trekking, também nenhum problema até lá. Chegamos no PC 05, fizemos a transição e só tinham na nossa frente uma dupla e um solo.

Nessa transição se encontrava minha esposa, Fernanda, e a namorada do Douglas, Jaqueline, nos aguardando para tirar fotos e registrar o momento. Foi bem legal da parte delas fazer esse esforço. Quando já estávamos terminando a transição minha esposa deu a ideia de juntar a equipe para tirar uma foto, foi quando a Camila Nicolau da Oficina Multisport, responsável da organização pela área de transição e mundialmente conhecida na corrida de aventura, disse algo do tipo: “Que nada de foto, saiam logo daqui!” Foi aí que eu vi o espírito competitivo dela, onde qualquer segundo desperdiçado pode ser fatal. Não é à toa que tanto ela quanto o Guilherme Pahl alcançam resultados tão expressivos. Fizemos, então, como ela disse. Saímos logo dali.

O interessante destes 7 Km de trekking é que o mapa foi entregue só na hora, não foi disponibilizado anteriormente para que as equipes fizessem suas estratégias, rotas, declinação ou plastificação. Achei que isso nos dava uma vantagem, já que nossa especialidade era a Orientação e nesse ponto de se deparar com o mapa na hora e traçar rotas rapidamente era igual uma competição de Orientação.

Uns 400 metros depois de sair para da Área de Transição para o trekking, cruzamos com OSKALUNGA chegando para fazer a transição. A diferença não era grande, mas acreditávamos que por ser a modalidade de nossa especialidade conseguiríamos abrir alguma distância. Nos PC 06, 07 e 08 correu tudo bem e sem erros. No PC 09 traçamos um azimute e esquecemos de colocar a declinação magnética de 22º e erramos feio. Até nos acharmos e ver o erro que cometemos foi o suficiente para OSKALUNGA nos passarem, mas a distância deles era visual. O PC 10 foi sem problemas e o PC 11 tinha duas rotas: uma mais segura, porém maior e outra rasgando mato por um talvegue que direcionava para o ponto. Vimos que OSKALUNGA resolveram ir pela rota mais segura e pegamos a mais técnica, além de dar uma acelerada para não dar o ponto caso eles estivessem chegando.

Achamos o PC 11 numa rota perfeita e sem erros, saímos rapidamente dali e seguimos para o PC 12. Passamos para uma situação interessante, nós sabíamos que estávamos na frente, mas OSKALUNGA, provavelmente, não sabiam disso. Isso, na minha opinião, é interessante pois eles estariam imaginando que estávamos atrás, se soubessem que estávamos na frente, acredito que aumentariam a velocidade. Os PCs 12, 13 e 14 foram sem problemas, contudo era uma subida muito forte para o PC 14, praticamente andando o tempo todo. Ao chegar no PC 14 fomos alcançados pela OSKALUNGA e o PC 15 tinha uma rota alternativa muito, mas muito técnica e uma rota segura. A rota segura era seguindo a estrada até bater no leito do córrego e seguir por ele até achar o ponto. A rota técnica era seguir por um pequena trilha numa cerca que acabava em 500 metros e depois seguir no azimute cortando talvegues, subindo e descendo morro até chegar num talvegue que dava nesse mesmo córrego já próximo ao ponto. A diferença de distância entre essas duas rotas era grande, talvez valesse a pena. O fato era que se fizéssemos a mesma rota eles aumentariam a diferença, pois o preparo físico deles era melhor. Fizemos a rota traçada tal qual planejada, com o Pivoto a frente e eu fazendo o backup, foi realmente espetacular a navegação, contudo a vegetação não ajudou. O mato era alto e o desgaste de correr e caminhar nele foi grande. Chegamos no PC 15 um pouco depois da OSKALUNGA, escutamos a voz deles saindo do ponto. Na minha opinião ganhamos tempo, pois se tivéssemos ido pela mesma rota essa diferença teria sido maior, contudo o desgaste também foi maior. O PC 16 era a mesma transição que saímos, onde retornaríamos para a bike. Entre o PC 15 e a transição nos encontramos com OSKALUNGA e chegamos juntos na transição. Eles fizeram a transição bem mais rápido que a gente, nós saímos um pouco depois.

Essa pernada da bike foi de 24 Km e logo no início já tinham duas rotas para o PC 17. Uma seguindo reto e fazendo um percurso por estrada e trilha até o córrego onde estava o PC. Outra entrando a direita logo após a transição seguindo por uma estrada de terra até chegar numa casa, só que o grande problema dessa rota é que da casa até o córrego não tinha mais trilha no mapa, mas a nossa experiência dizia que, com certeza, tinha uma trilha ali, pois normalmente os moradores daquela casa vão até o córrego. Sem contar que essa rota era muito menor, mas tinha uma travessia maior da mata ciliar do córrego. Arriscamos e fomos nesta segunda rota. Chegamos no acesso à direita para a casa, passamos as bikes por cima da cerca e nossa experiência valeu. Existia uma pequena trilha, quase tomada pelo mato até chegar no córrego e conseguimos fazer com certa tranquilidade esse percurso. A mata ciliar do córrego foi de fácil transposição, era bem permeável e pegamos o PC 17 sem dificuldades. A partir daí deduzimos que estávamos na dianteira novamente. A rota até o PC 18 tinha bastante estradão e já próximo ao PC uma subida monstruosamente técnica onde fizemos ela toda empurrando a bike. Sabíamos que nessa parte OSKALUNGA seriam melhores que a gente, pois o pedal deles é muito mais forte. Tentamos dar o máximo ali, e nessa parte minha carcaça começou a sentir. Ainda na parte de estradão fui ficando pra trás e contei com a ajuda do Douglas que me rebocou por um bom pedaço, onde pude descansar um pouco. Essa rota foi bem sugada e ao chegar no PC 18 tive a certeza que estávamos na frente, pois encontrei a base eletrônica do ponto dormindo. Encontrar a base dormindo significa que ela ficou mais de 4 horas inativa e quando você coloca o chip ela demora cerca de 4 segundos para bipar e sair do standby. Por ser acostumado com competições de orientação eu sabia disso. Ou seja, ninguém tinha passado ali antes.

Éramos os primeiros colocados geral. Contudo desse PC até o PC 21 seria a maior parte de estradão da prova, passando inclusive pelo asfalto. Nossa chance era conseguir chegar no PC 21 antes da Equipe OSKALUNGA para ter qualquer chance de ganhar a prova. Nossas expectativas de ganhar duraram até o PC 19, onde pegamos este ponto junto com eles. Sabíamos que não conseguiríamos acompanhar eles, mas por estar no visual com certeza demos o máximo. Conseguimos ficar com eles no visual até próximo do PC 20, depois disso não os enxergávamos mais. Voltamos a nos contentar com a 2ª posição e eu, particularmente, já estava feliz por ter conseguido chegar até a metade da prova disputando de igual para igual com OSKALUNGA. Já na parte de asfalto, a minha carcaça começou a sentir de novo e fui ficando um pouco pra trás, mas como sabia que a parte de single track estava próxima, me esforcei para chegar neles. Como o single track é mais devagar que estradão eu conseguiria descansar. Chegamos no ponto 21 e daí começou o single track para a minha alegria. Daí até o PC 23 foi tranquilo, o Pivoto vinha liderando o movimento e eu, mesmo cansado e sofrendo com fisgadas de cãimbras o tempo todo, conseguia fazer o backup da navegação. Cometemos um pequeno erro no PC 24, passamos do local onde era para entrar num pequeno corta mato e tivemos que voltar. Eu estava fazendo o backup correto e, inclusive, alertei o Pivoto do local da entrada, mas ele discordou dizendo que ainda não tínhamos passado a segunda trilha à esquerda. Eu, como disse, já vinha sofrendo e não discordei dele, pois, com certeza, o cansaço que eu estava sentindo poderia ter afetado minha navegação e ele estava bastante confiante. Segue o baile. Depois vimos que eu estava certo, mas não foi um erro muito grande, a correção foi rápida e continuamos nossa prova. Só não queríamos ser ultrapassados por alguma outra equipe. Desse PC até o PC 27 fizemos uma navegação certeira, sem erros. Destaque para a subida de empurra bike do PC 26 até o PC 27. Foi doída. O próximo PC já era a transição da bike pro rapel e depois pro caiaque. Saímos errado do PC 27 e nos deparamos com o barranco da subida para São Sebastião logo depois do viaduto da EPDB. Não voltamos e seguimos pela borda do barranco até achar um local melhor pra descer. Apesar do erro, foi uma parte emocionante para a equipe. Descemos numa parte mais fácil, ou melhor, menos difícil do barranco empurrando as bikes. Foi uma descida alucinante.

Ao chegarmos na transição nos deparamos com toda a família do Douglas dizendo que estávamos na frente e que tínhamos sido os primeiros a chegar ali. Foi inacreditável! Acho que eu perguntei umas três vezes se OSKALUNGA já tinham passado por ali. Depois viemos a saber que eles perderam muito tempo para achar o PC 23 e nós passamos eles ali, sem nos encontrarmos no percurso. Sabendo disso veio a responsabilidade de ter que fazer uma transição rápida para seguir na frente e eu só queira sentar, deitar, dormir, menos seguir forte. Realmente estávamos demorando um pouco na transição, foi quando a Izabel que veio sempre na dela, sem reclamar, sem falar muito e soltou a seguinte frase: “Tá muito devagar essa transição, vamos logo!” Dali dois saíam para a o rapel e dois levavam os remos, coletes e camelbacks para os caiaques. Fui eu e o Pivoto para o rapel. O Douglas e a Izabel levaram nossos materiais para os caiaques. Essa corridinha até o rapel da Ponte JK foi curta, mas deu pra ver que eu estava mal. Mas pensei: depois daqui tem 1 Km de caiaque, vai dar pra descansar já que eu tinha treinado bastante essa modalidade. Cabe ressaltar que quando estávamos prestes a sair da transição a Equipe OSKALUNGA apontou no horizonte para chegar na transição. O PC 29 era o rapel em cima da Ponte JK e o PC 30 era a transição dos caiaques embaixo da ponte. Desci do rapel meio zumbizado e quando chego embaixo na água já vejo o Marconi Ribeiro trazendo um caiaque. Pensei comigo: “PQP, esses caras se teletransportaram”. Não me recordo bem, mas acho que foi nessa hora que o Pivoto disse: “Eu não queria estar na frente deles, mas agora que estou não quero ficar atrás.” Dali até o PC 31 era 1 Km de caiaque. Acho que foi o quilometro mais dolorido de caiaque que eu já fiz. Acredito que pelo desgaste na bike, meus braços estavam sofrendo. Logo na modalidade que era pra ser o mais preparado da equipe. Chegamos no PC 31 e o primeiro caiaque deles chegou junto com a gente e o outro estava mais longe.

Esse PC era a transição para um trekking de 3 Km. Mais uma vez tínhamos que apostar na nossa orientação para tentar abrir distância, ainda mais que eles mostraram remar melhor que a gente. Depois desse trekking tinha mais 5 Km de caiaque até a chegada. Chegamos no PC 32 e o chip não quis bipar. Nessa hora o Pivoto me perguntou se eu tinha limpado e checado o chip quando eu peguei, pois o mesmo poderia estar cheio e não gravava mais pontos. Respondi que tinha sido ele quem pegou o chip. Foi até engraçado essa hora. Ele lembrou que tinha pegado o chip, limpado e checado. Concluímos que o chip estava cheio e a solução era tira foto da equipe nos PCs. Pegamos a Go Pro do Douglas e começamos a tirar fotos nos PCs. Contudo estávamos perdendo um certo tempo nos PCs com isso. E será que OSKALUNGA estavam fazendo o mesmo? Quando acabou a prova descobrimos que eles deram mais azar ainda, pois tiveram que pegar o celular pra tirar as fotos e até ligar o celular perderam mais tempo ainda. Fizemos um trekking perfeito pra nenhum orientista botar defeito. Azimutes precisos para ganhar tempo. Eu não conseguia correr na subida, a cãimbra tava demais. E a Izabel alucinada disse: “Gente, vamos correr! OSKALUNGA estão nas nossa cola!” Meu Deus, de onde essa mulher tira tanto gás! Mas serviu de incentivo e eu vi que não podia prejudicar a equipe naquele momento crucial da prova. Esse trekking foi do PC 32 ao PC 37.

O PC 38 era a transição para os caiaques novamente e aí era remar por mais 5 Km até a chegada que foi no mesmo local da largada. Conseguimos abrir certa distância da OSKALUNGA, pelo menos era maior do que quando chegamos nessa transição, mas não podíamos dar mole. Seguimos remando o mais forte que conseguíamos e até não senti mais dores nos braços. Acho que eu olhava mais pra trás do que pra frente, mas a nossa distância era segura, dava pra manter na ponta até a chegada. Contudo não deixamos de remar o mais forte que conseguíamos. Gritos de incentivo vinham de um caiaque para outro. A adrenalina de estar na frente de uma equipe como OSKALUNGA fez com que qualquer dor ou cansaço naquele momento fossem imperceptíveis.

Já próximo da chegada a alegria tomava conta de todos nós, ver o grito da galera esperando a gente, ver nossas família na beirada do lago gritando de alegria foi indescritível. Eu senti a emoção da Izabel, que dividia o caiaque comigo, ficando impressionada vendo tio, irmã, sobrinha que ela não esperava que estivessem ali. Realmente essa foi a melhor parte da corrida. Ao tirarmos os caiaques da água e começarmos a corrida até o pórtico de chegada foi sensacional. Dava pra ver nos olhos o espanto e admiração em cada um ali em ver a desconhecida Equipe AKVA/JC Bikes desbancar a tradicional, experiente e atual Campeã Brasileira de Corrida de Aventura Equipe OSKALUNGA.

Na minha pequena experiência em corrida de aventura já consigo ver que a incerteza é grande. Sempre faça o seu melhor, mesmo que seja o último, alguma reviravolta pode acontecer e te colocar de volta ao jogo.

Qual o segredo desse sucesso? Vou resumir em uma única palavra: SINERGIA. “(...) é um trabalho ou esforço para realizar uma determinada tarefa muito complexa, e poder atingir seu êxito no final. Sinergia é o momento em que o todo é maior que a soma das partes.”

Mais uma vez agradeço aos meus companheiros de equipe pelo apoio, vontade e determinação durante toda a prova. Espero poder competir ao lado de vocês novamente no futuro!

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